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Implante dentário dói? O que os estudos mostram sobre dor e recuperação

Resposta curta: durante a cirurgia, não — ela é feita com anestesia local, como uma extração. Nos dias seguintes, a maior parte dos pacientes descreve dor leve a moderada, que atinge o pico nas primeiras 24 horas e cai rapidamente com analgésicos comuns. Estudos que mediram a dor com escalas padronizadas confirmam que o desconforto costuma ser menor do que o paciente imaginava antes do procedimento.

Por que tanta gente tem medo de implante

A palavra "cirurgia" e a ideia de um pino de titânio no osso assustam. É natural. Mas vale separar duas coisas: o que acontece durante o procedimento e o que acontece depois.

Durante a colocação do implante o paciente está anestesiado, exatamente como em uma extração ou em um tratamento de canal. O que se sente é pressão e vibração, não dor. O osso não tem terminações nervosas de dor na sua parte interna, e a gengiva e o periósteo (a membrana que reveste o osso) são anestesiados antes da incisão.

O que os estudos mediram sobre a dor depois da cirurgia

Dois estudos clínicos acompanharam pacientes hora a hora após a colocação de implantes, usando escalas visuais de dor (de 0 a 10) — o mesmo tipo de instrumento usado em hospitais.

Al-Khabbaz e colaboradores (2007) avaliaram a dor após a cirurgia de implante e observaram que a intensidade média foi baixa, com o pico nas primeiras horas e queda progressiva ao longo da primeira semana. A maioria dos pacientes controlou o desconforto com analgésicos simples, sem necessidade de medicação forte1.

Hashem, Claffey e O'Connell (2006) mediram dor e ansiedade antes e depois do procedimento. O achado mais interessante: a dor esperada pelos pacientes antes da cirurgia era maior do que a dor relatada depois. Em outras palavras, o medo costuma ser maior que a realidade2.

Na prática clínica, o que vemos é coerente com esses dados: inchaço discreto por dois a três dias, sensibilidade ao mastigar do lado operado e dor que responde bem a anti-inflamatório e analgésico prescritos. Casos com enxerto ósseo ou vários implantes na mesma sessão tendem a ter um pós-operatório um pouco mais sensível — e isso é conversado antes.

E depois, o implante "pega"? Taxas de sucesso em longo prazo

A segunda dúvida que quase sempre acompanha a primeira é se vale a pena passar por isso. Aqui a literatura é robusta.

Uma revisão sistemática de Moraschini e colaboradores (2015), reunindo apenas estudos com acompanhamento de pelo menos 10 anos, encontrou taxa de sobrevivência dos implantes em torno de 94,6%3. Uma meta-análise mais recente, de Howe, Keys e Richards (2019), com metodologia ainda mais rigorosa, estimou sobrevivência de 10 anos na faixa de 96,4%4.

Isso significa que, a cada 100 implantes colocados, cerca de 95 continuam funcionando uma década depois. Poucos tratamentos em medicina têm um histórico tão bem documentado.

Importante: "sobrevivência" não é "garantia". Uma pequena parcela dos implantes não se integra ao osso (a chamada falha de osseointegração) ou desenvolve problemas ao longo dos anos. Por isso nenhum profissional sério promete 100%.

O que aumenta o risco de o implante não dar certo

Os mesmos estudos que mostram altas taxas de sucesso também identificam o que reduz essas taxas. Os fatores mais consistentes:

Como é o pós-operatório na prática

Nas primeiras 24 horas: repouso relativo, compressa gelada, alimentação fria e pastosa, medicação nos horários indicados. O pico de desconforto costuma acontecer nesse período.

Do segundo ao sétimo dia: inchaço regride, a alimentação volta gradualmente ao normal do lado oposto, e a maioria dos pacientes já trabalha normalmente no dia seguinte ou dois dias depois. Os pontos são removidos em 7 a 14 dias.

Dos 3 aos 6 meses: período de osseointegração, em que o osso cresce ao redor do implante. Não dói — o implante fica "quieto" sob a gengiva ou com um cicatrizador. Em casos selecionados é possível colocar um dente provisório no mesmo dia.

Sinais que merecem contato com o dentista: dor que aumenta em vez de diminuir depois do terceiro dia, sangramento persistente, febre ou mau cheiro no local.

Em resumo

  • Durante a cirurgia não há dor: o procedimento é feito com anestesia local.
  • Depois, a dor costuma ser leve a moderada, com pico nas primeiras 24 h, e responde a analgésicos comuns.
  • Estudos mostram que a dor esperada pelo paciente costuma ser maior que a dor real.
  • Cerca de 95% dos implantes continuam em função após 10 anos, segundo revisões sistemáticas.
  • Fumo, diabetes descompensado e falta de manutenção são os principais fatores que reduzem o sucesso.

Referências

  1. Al-Khabbaz AK, Griffin TJ, Al-Shammari KF. Assessment of pain associated with the surgical placement of dental implants. J Periodontol. 2007;78(2):239-46. PubMed
  2. Hashem AA, Claffey NM, O'Connell B. Pain and anxiety following the placement of dental implants. Int J Oral Maxillofac Implants. 2006;21(6):943-50. PubMed
  3. Moraschini V, Poubel LA, Ferreira VF, Barboza ES. Evaluation of survival and success rates of dental implants reported in longitudinal studies with a follow-up period of at least 10 years: a systematic review. Int J Oral Maxillofac Surg. 2015;44(3):377-88. PubMed
  4. Howe MS, Keys W, Richards D. Long-term (10-year) dental implant survival: a systematic review and sensitivity meta-analysis. J Dent. 2019;84:9-21. PubMed
  5. Chrcanovic BR, Albrektsson T, Wennerberg A. Smoking and dental implants: a systematic review and meta-analysis. J Dent. 2015;43(5):487-98. PubMed
  6. Naujokat H, Kunzendorf B, Wiltfang J. Dental implants and diabetes mellitus — a systematic review. Int J Implant Dent. 2016;2(1):5. PubMed
  7. Derks J, Tomasi C. Peri-implant health and disease. A systematic review of current epidemiology. J Clin Periodontol. 2015;42 Suppl 16:S158-71. PubMed
Dr. Eliton Henk

Dr. Eliton Henk

Cirurgião-dentista · Especialista em Implantodontia · CRO-SP 120.351

Cirurgião-dentista formado em 2016, especialista em implantodontia, com atuação em clínica geral e reabilitação oral. Autor de artigos científicos publicados e responsável técnico pela Henk Odontologia, em São José do Rio Preto.

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substitui a consulta com um cirurgião-dentista e não constitui promessa de resultado. Cada caso exige avaliação clínica individual.

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Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a dor depois do implante?

Na maioria dos casos, o desconforto relevante dura de 2 a 3 dias e é controlado com a medicação prescrita. Sensibilidade leve ao mastigar pode persistir por cerca de uma semana.

Implante dói mais que extração?

Estudos que compararam a percepção dos pacientes indicam desconforto semelhante ou menor. A cirurgia de implante é planejada e feita em tecido saudável, sem a inflamação que geralmente acompanha uma extração de dente infeccionado.

Posso trabalhar no dia seguinte?

Para a maioria das pessoas, sim, evitando esforço físico intenso nos primeiros dois dias. Quem faz enxerto ou vários implantes pode precisar de um pouco mais de repouso.

Quem fuma pode fazer implante?

Pode, mas com risco maior de falha. A recomendação é interromper o cigarro pelo menos algumas semanas antes e depois da cirurgia, e o assunto é discutido individualmente na avaliação.

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